7 de dezembro de 2015

Elói Schleder: Um atleta além do seu tempo!

Por: Vicent Sobrinho

No ano de 1985 eu era integrante da equipe de corredores (Mineração Lopes), na cidade de Mogi das Cruzes, a equipe levava esse nome em função do dono e patrocinador da equipe ser um antigo vereador da cidade, o "Sr Jacob Lopes". Em um domingo que não me lembro o mês kkk, fomos participar da então tradicional Corrida da Vila Leopoldina organizada pelo Sesi e com presença garantida de seus principais atletas. Pra mim tudo ainda era novidades, lembro na hora do aquecimento naquele trotezinho tradicional eu aquecendo ao lado de Edson Bergara, Adauto Domingues, João Alves de Souza (Passarinho), Klevansostenes Albuquerque, Advaldo Cardoso Neves, Hilton da Silva e muitas outras feras espalhadas, todas em condições de um grande resultado. Na hora da largada era aquela multidão espremida esperando pelo tiro de partida que não demorou muito, saí numa disparada doida e quanto mais eu corria mais pessoas passavam por mim, durante o percurso eu só pensava em duas coisas, em ganhar uma medalha e saber quem seria o vencedor. Quando eu cheguei e consegui me recuperar fui procurar nosso treinador que tinha assistido a chegada e perguntei pra ele quem tinha ganhado a corrida.
Ele disse:
_Quem ganhou foi o Elói Schleder...fácil!!!
Eu fiquei admirado e ao mesmo tempo curioso pois só tinha ouvido falar no nome dele uma vez ou outra, mas nunca o tinha visto. Na hora da premiação foi que pude ver e conhecer quem era "Elói Rodrigues Schleder", grande atleta, postura elegante, passadas largas, personalidade de respeito. O Elói continuou colecionado grandes resultados no Brasil e no exterior e quem pode contar melhor sobre esses resultado e essa brilhante trajetória é nosso amigo, corredor e jornalista Vicent Sobrinho. 


"Elói Rodrigues Schleder, filho de agricultores, nasceu em 26 de julho de 1951 em Passo Fundo/RS. A corrida apareceu em sua vida em 1969, quando ia completar 17 anos; segundo ele, foi quase que por obrigação do Colégio Marista em que estudava. "Havia olimpíada em âmbito regional entre as escolas Maristas e para que o nosso colégio saísse campeão teríamos que vencer a prova que finalizava todo o evento, uma corrida rústica de 5 km." Elói, como todos os garotos da época, gostava mesmo era de futebol, mas diante da imposição dos professores se alinhou juntamente com os colegas na largada: "Eu nada sabia de corrida e até aceitei a dica de chupar limão segundos antes da saída (diziam que ajudava...); dada a largada, resolvi seguir o melhor de minha escola, que foi o primeiro colocado e eu o vice. Assim, na minha primeira corrida já subi ao pódio."
 Edson Bergara (vermelho) disputando seletiva para jogos olímpicos de 1980
 junto com Elói e Ferreirinha. F oto Maria de Sousa Lima (Mariinha)

MUITAS SÃO SILVESTRES. Schleder veio de Passo Fundo para São Paulo em 1975, para sua primeira São Silvestre, numa época em que a soberania dos atletas estrangeiros era tanta que se contava 28 anos sem que um brasileiro vencesse a prova. E naquele ano havia até um favorito do país, o sargento José Romão Andrade Silva, que colecionava recordes quase todos feitos no exterior, experiência que lhe dava grande chance de vencer a São Silvestre.
Elói relembrou aquela noite: "Como era tradicional, a prova saía pouco antes da meia noite, para que chegássemos logo depois da virada; faltavam alguns minutos e eu estava me posicionando na linha para a largada, quando um rojão cruzou o céu e estourou fortemente; com o susto, os corredores dispararam. Romão tinha ficado numa área reservada e acabou sendo prejudicado, mas mesmo assim ele foi brilhante, ultrapassou muita gente e chegou na 11ª posição e eu na 14ª".
Esse resultado lhe rendeu um convite para integrar a equipe do Sesi de Santo André. "A oferta era irrecusável, já que me ofereceram moradia, restaurante, bolsa de estudo na faculdade, registro de professor estagiário em educação física; nem pensei duas vezes e por lá fiquei durante 23 anos, inicialmente como atleta e depois como funcionário."
Em 1976 se classificou como o 1º brasileiro, o que se repetiu em 77 e 78 - respectivamente 10º, 9º e 7º na colocação geral. Elói correu na São Silvestre de 1973 até 1987 e gosta de lembrar o 5º lugar geral de 1985. "Naquele ano subiram quatro brasileiros ao pódio, liderados pelo campeão José João da Silva, ou seja, Adauto Domingues, João Alves (Passarinho) e eu, o maior pódio brasileiro até hoje; em segundo ficou o equatoriano Rolando Vera, que venceria a SS nos 4 anos seguintes."

Detentor de recordes nacionais em 1981 e 1982, conseguiu em 8 de junho de 1986, em Sydney, Austrália, seu melhor tempo em maratona: 2:12:54. Foi a coroação de uma brilhante carreira de maratonista, mas que começou de forma bastante desastrada: simplesmente desclassificado!


As primeiras seletivas para maratonas olímpicas surgiram na década de 70, quando no Brasil era raro quem quisesse encarar os 42.195 m, com a justificativa de que o clima não ajudava, e por isso eram poucas as maratonas. Até que em 1976 a então CBD (Confederação Brasileira de Desportos) escalou Schleder para tentar o índice para os Jogos de Montreal.

LESÕES E LENDAS. Na fase de maratonista, Elói preparava sua própria planilha, que tinha como base treinar em dois períodos, pela manhã 10 km e à tarde mais 15 a 25 km. Em função das muitas participações em provas de rua, sofreu com lesões seqüenciais nos tendões. "Procurei vários médicos e um me disse que a causa poderia ser o sentido que eu corria na pista, durante meus treinos e sugeriu que eu sempre fizesse o aquecimento no sentido contrário. Em pouco tempo tinha muita gente me imitando, e o burburinho era: "O Elói sempre aquece no sentido contrário e deve ser por isso que é um bom corredor! Mal sabiam eles que era no que eu precisava acreditar para sentir menos dores. Na época virou até lenda!"
Em 1988, então com 37 anos, Elói tentou o índice para a Olimpíada de Seul, na a Maratona de Nevada, EUA. "Já larguei meio pesado e lembro que nos 21 km olhei no relógio e vi que não era mais possível, pois teria que fazer a segunda parte em pelo menos 4 minutos mais rápido e estava muito cansado. Então, pela primeira vez, desisti em uma corrida, e caminhei até o final, percebendo que era o fim de uma etapa de minha vida. Foi um desfecho natural e meu primeiro filho nasceria em poucos meses".
Próximo dos 60 anos, Elói continua sempre em atividade física, embora não tenha mais o vínculo com a corrida. Ao fim da entrevista, ele abraça o amigo Décio, que nunca parou e tem subido aos pódios nos últimos anos, e pergunta: Como estão as corridas agora? O veterano e muito premiado Décio responde: "Você precisa ver, melhoraram bastante as corridas no Brasil. Se você voltar ficará ainda melhor!" Quem sabe nas próximas corridas não nos encontraremos com esse ídolo?
Essa entrevista completa pote ser encontrada na Revista Contra-Relógio: Edição 209 - FEVEREIRO 2011 - VICENT SOBRINHO




  

5 de dezembro de 2015

Jorilda Sabino - A Cinderela Negra

No ano de 1983 quando eu estava iniciando nas corridas de rua conheci Jorilda Sabino, não tive o privilégio de conhece-la pessoalmente mas seu vice campeonato na corrida mais importante do Brasil tornou-a "conhecida mundialmente", e não só pelo resultado em si, mas pela maneira em que conseguiu. Quem poderia imaginar que uma garotinha ainda na adolescência com apenas 13 anos de idade e correndo descalça pudesse realizar tal façanha? E pra calar a boca daqueles ainda incrédulos com o resultado de 83 ela repete o feito no ano seguinte com a mesma garra, determinação e heroicamente, "descalça novamente", tirando qualquer sombra de dúvidas. Como já mencionei em postagens anteriores não tenho intenção de contar toda trajetória dos atletas aqui postados, apenas algumas informações e resultados conquistados enquanto estiveram competindo. Como já disse não tive o privilégio de conhecer pessoalmente a Jorilda e as informações que vou postar aqui são partes de uma maravilhosa entrevista conseguida pelo meu querido amigo Vicent Sobrinho que é jornalista e corredor.


A menina Jorilda foi considerada a mais importante corredora de 10k de rua  – era a 1ª  do Ranking em 1985, por duas vezes Jorilda Sabino foi a primeira brasileira e segunda colocada geral na São Silvestre, perdendo apenas para a  portuguesa, a genial olímpica – Rosa Mota – que entre inúmeros títulos obteve a medalha de bronze nas olimpíadas de Los Angeles e medalha de ouro nas olimpíadas de Seul 1988.  Rosa Mota além de ter vitórias em maratonas internacionais em todos continentes, foi também campeã mundial em Roma 1987 e somou três vitórias em Maratonas de Boston, 87,88 e 90. Foi só para essa Gigante que a então pequena Jorilda Sabino perdeu. É necessário observar que Rosa Mota, 12 anos mais velha e muito experiente, que há um detalhe importantíssimo…. Jorilda tinha apenas 13 anos de idade quando foi a primeira brasileira na São Silvestre em 1983. Naquele ano o campeão tinha sido o mineiro João da Mata, recordou a própria Jorilda durante a entrevista.A aniversariante de hoje – Jorilda Sabino é paranaense nascida em Umuarama, mas, com apenas um ano de idade partiu com sua família para Cuiabá/MT.  Sabino contou que no começo a corrida era a forma que tinha para ocupar suas tardes, e levava o atletismo apenas como brincadeira, como diversão.  Para Jorilda brincar na rua e jogar futebol eram suas brincadeiras de criança, comum nos bairros de Cuiabá, o que já não era tão comum para uma menina correr e jogar bola no eixo Rio-São Paulo.  Talvez por essa razão o aparecimento dessa menina foi um espanto para mídia que ao vê-la largar e correr na frente e às vezes ao lado das favoritas entre elas Rosa Mota. A leveza de Jorilda para a corrida era incrível, seu técnico em apenas seis meses de prática fez com que Jorilda já colecionasse inúmeras vitórias em competições locais.

 Em sua estreia na São Silvestre ao conquistar a colocação de 1ª brasileira logo foi apelidada de “A Cinderela Negra” pela semelhante história das duas princesas que tiveram algo em comum, estavam descalças no momento mais especial de suas vidas.   Muito distante da fábula, Jorilda Sabino corria na mais paulista das Avenidas no último dia de 1983, na noite de São Silvestre o palco que a então menina Jorilda – criança de apenas 13 anos não se impressionou nem com o tamanho da cidade, pois para ela tudo parecia uma brincadeira, e nem se assustava com todo aquele tumulto de pessoas. E como qualquer inscrito na maior prova do Brasil,  ao ouvir o tiro de largada partiu pequenina Jorilda que logo em suas primeiras passadas perdia-se no meio da multidão . . .

Desprezando o impossível… Descalça ela partiu . . .

Jorilda era uma garota miúda e de fragilidade maior ainda se fosse comparada com qualquer uma de suas rivais – E lá estava ela largando ao lado da então bi-campeã da São Silvestre.  A menina partiu com seus pés descalços ao lado da portuguesa que já era bi-campeã da São Silvestre. Por isso ela surpreendeu o Brasil superando todas brasileiras, pois, correu o tempo todo no grupo de elite até sagrar-se primeira brasileira e vice-campeã – um verdadeiro presente a todos naquele réveillon de 1983 e veio repetir a façanha novamente em 1984. Após essas conquistas e a bela estréia Jorilda por uma década fez carreira vitoriosa inclusive conhecendo países distantes como Coréia, Japão e África do Sul.

* Na São Silvestre a sua principal rival foi uma das maiores corredoras do século, a portuguesa Rosa Mota, essa portuguesa venceu por mais cinco vezes a São Silvestre, em 8 anos, Rosa só perdeu a edição de 87 e retornou em 88 para somar 7 vitórias.


Como está Jorilda hoje?
Atualmente no penúltimo ano da Faculdade de Educação física a noite, é casada e tem duas filhas, Elizabeth tem 21 anos e Samantha de 24 anos que também é casada e espera o primeiro filho para fevereiro de 2014.


E a São Silvestre. Você tem saudades? Gostaria de ser lembrada ou homenageada pela organização? “Tenho boas lembranças da São Silvestre e foi por causa dela que tive o reconhecimento do governo do Estado do Mato Grosso que me deu uma casa confortável para a minha família, pois, éramos muito pobres e morávamos em uma casa muito precária.  Os resultados que obtive na São Silvestre que possibilitaram a melhoria na vida da minha família. Seria uma honra ser homenageada pela organização da corrida”.
Por isso tudo… caro leitor. Deixe aqui os seus Parabéns a JORILDA.  Afinal ela merece!”
Postado em: HISTORIA DA CORRIDA DE RUA, PERFIL, PERSONAGENS por Vicent Sobrinho.
Como todos puderam ver são partes de uma belíssima entrevista, agradeço de coração ao meu amigo Vicent Sobrinho pelo brilhante trabalho, a entrevista completa pode ser encontrada na edição de nº 265 da revista Contra Relógio no mês de outubro do ano de 2013.  



4 de dezembro de 2015

José João da Silva


Hoje vamos  nos recordar desse grande ícone do atletismo brasileiro que praticamnete revolucionou as Corridas de Rua no Brasil.


Bicampeão da Corrida de São Silvestre, em 1980 quebrou um jejum de 34 anos sem vitórias de brasileiros na corrida. Naquele ano a corrida contava com 8,900 km e foi concluída com o tempo de 23min40s30.


Em 1985 venceu novamente a São Silvestre com o tempo de 36min48s96, deixando Rolando Vera (aquele que seria tetra-campeão da prova) em segundo. Neste ano a prova contava com 12,6 km.
Foi bicampeão da Meia-Maratona da Independência em 1980 e 1982. Foi detentor, durante 16 anos, dos recordes brasileiros dos cinco mil metros, com 13min37s04 e dos dez mil metros, com 28min08s59.


Principais conquistas

3 de dezembro de 2015


João da Mata de Ataíde (Diamantina8 de Fevereiro de 1954) é um ex-atleta de corridas brasileiras. Atuou em competições entre os anos de 1973 e 1997 Em 1995, com 42 anos, o mineiro venceu a Corrida Internacional de São Silvestre na categoria veteranos. Parou de competir em 1997Para iniciar esse Blog nada melhor recordar da 59ª Corrida Internacional de São Silvestre, por um motivo muito simples, foi nesse ano e nesse dia na cidade de Franco da Rocha SP que eu fiz minha primeira participação em corridas de rua.
Foi na Corrida de São Silvestre de Franco da Rocha do SC Corinthians no dia 31 de dezembro de 1983 que pra mim tudo teve início nas corridas de rua.



Grandes atletas do passado


Este Blog tem como finalidade recordar e mostrar alguns ATLETAS DO PASSADO que atuaram e se destacaram nas principais competições do cenário nacional e internacional. As décadas de 80 e 90 houve uma verdadeira invasão de grandes corredores conquistando grandes resultados nas mais diversas regiões do país. Muitos atletas da atualidade que não estiveram nessa época não tiveram oportunidade de conhecer a maioria desses atletas pois a mídia e os meios de comunicação não eram tão evoluídos como atualmente. Pra vc que já os conhecem e que sabe de algumas informações importante, nos ajude para melhor informar os leitores sobre os atletas mencionados.
Fiquem à vontade para comentar no Blog RECORDAR E CORRER e vamos juntos matar a saudade dessas feras que fizeram histórias no passado.